Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,
Na contramão de mais um mês de dólar fraco globalmente (especialmente contra alguns de nossos pares do mundo emergente, como Chile, África do Sul e México), o real voltou a se desvalorizar, terminando 2025 a R$5,50/US$. Apesar do elevado volume esperado de saídas de fluxos financeiros, o mercado de câmbio iniciou o mês com tranquilidade. Não resistiu, porém, à onda de pessimismo desencadeada pelo anúncio da pré-candidatura do senador Flavio Bolsonaro à presidência da República. O movimento do mês nos parece um prenúncio do que pode ocorrer no ano eleitoral, com a corrida pela presidência podendo dominar o cenário externo.
A alta do dólar fez com que a precificação de cortes na taxa Selic ao longo de 2026 recuasse de mais de 3pp na primeira semana do mês para 2,5pp no fechamento do ano. O movimento do câmbio, juntamente com novos dados ainda fortes do mercado de trabalho e o fim da sequência da sequência de surpresas positivas nos dados de inflação, deve renovar a cautela habitualmente pregada pelo Copom e afastar a possibilidade de um corte de juros já em janeiro. Seguimos esperando cortes graduais a partir de março.
Nos Estados Unidos, os dados cuja divulgação foi atrasada pelo ‘shutdown’ do governo mostraram uma economia entre a resiliência e uma reaceleração com relação ao primeiro semestre. O crescimento anualizado do PIB no terceiro trimestre excedeu 4% e a economia deve ter crescido mais de 2% ao longo de 2025, com pouco impacto das tarifas no consumo agregado. Seguimos esperando dados positivos nos próximos meses, com o efeito das quedas dos juros e dos cortes de impostos a serem implementados no início de 2026.
Embora dividido, o Fed seguiu reduzindo a taxa de juros na sua última reunião de 2025. A precificação para 2026 segue oscilando pouco ao redor de 3%, implicando juros reais perto de zero (portanto, estimulativos) nos próximos meses. Este deve continuar sendo um pano de fundo positivo para os mercados, pelo menos enquanto aguardam a próxima invenção do governo Trump.
Luciano Sobral, economista da Neo.
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