Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,
2026 começou com um grande rali em ativos de países emergentes e algumas commodities, com o dólar americano perdendo valor contra todas as moedas que acompanhamos. Os fluxos globais de investimento parecem aumentar a busca de alternativas aos ativos americanos a cada devaneio da política externa americana, que, só em janeiro, ameaçou implodir a OTAN e aumentar tarifas para produtos europeus na tentativa de controlar a Groenlândia, removeu o presidente da Venezuela e reforçou o envio de poderio militar para o entorno do Irã.
Em meio ao hiperativismo de Trump, a economia americana seguiu mostrando dados robustos de crescimento e inflação relativamente controlada, ainda que cerca de 1pp acima da meta de 2%. A precificação dos juros dos Fed Funds para o final de 2026 continua oscilando ao redor de 3%, e não mudou significativamente com a nomeação de Kevin Warsh para suceder a Jerome Powell. Essa combinação de ciclo de corte de juros perto do fim e economia forte, na nossa visão, deve ajudar a conter o ímpeto da depreciação do dólar, sobretudo se a perda contínua (porém gradual) de popularidade de Trump levar a mais contestação de suas iniciativas – o que acreditamos que vai ocorrer gradualmente ao longo do ano.
No Brasil, os dados de atividade econômica continuam apontando para uma desaceleração gradual e não-disseminada. Isso foi o bastante para o Copom, em sua primeira reunião do ano, sinalizar o início do ciclo de corte de juros para a reunião de março. Enquanto escrevemos, ainda não temos uma indicação mais clara da estratégia do Banco Central, mas estimamos que seja possível cortar a Selic gradualmente em 3,5pp sem comprometer as projeções de inflação para 2027. Este é o nosso cenário-base atualizado, agora assumindo a taxa de câmbio a R$5,50 no final de 2026 (ou seja, no mesmo patamar onde terminou 2025).
A visibilidade do cenário pós-eleições segue bastante limitada, e não tivemos muitas novidades sobre a corrida eleitoral. Com a volta do Congresso, a passagem do Carnaval e a aproximação do prazo para desincompatibilização de cargos públicos para quem quer se candidatar às eleições, ao menos a lista dos presidenciáveis deve começar a ficar mais clara.
Obrigado,
Luciano Sobral, economista da Neo.
Acompanhe os relatórios de gestão da Neo: