Cartas do Gestor – Março 2026

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Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,

A guerra no Golfo dominou os mercados em março. Na renda fixa, a reação inicial foi incorporar a alta esperada na inflação nas taxas nominais, mesmo em países que estão cortando juros (como Brasil e México) ou que ainda parecem longe de precisar recorrer a aumentos (como Suécia, Suíça e Nova Zelândia). A perspectiva de petróleo mais alto por bastante tempo, ao mesmo tempo evitando preços mais extremos e descartando uma volta rápida ao cenário de excesso de oferta do pré-guerra, abriu a possibilidade de cenários de impacto relativamente contido na inflação e um estrago maior na atividade, a depender da composição das matrizes energéticas regionais. Com isso, as reações de bancos centrais nos próximos meses devem também ser menos uniformes do que o movimento dos preços futuros sugeriu.

Entre as moedas, como poderia se esperar, os destaques positivos foram os exportadores de petróleo, como Brasil, Colômbia e, em menor medida, Canadá e Noruega. O real, em particular, tem o melhor desempenho acumulado no ano entre as moedas que acompanhamos, com valorização de 6% contra o dólar (e perda de apenas 1% em março).

No cenário local, incorporamos a premissa de petróleo a $80/barril no final do ano ao cenário de IPCA. Com isso, a inflação deste ano deve ficar mais próxima de 5%. Não vemos contaminação relevante para as expectativas de 2027 e 2028, de forma que alteramos pouco a trajetória prevista para a Selic. No cenário que parece mais provável, de um cessar-fogo liderado pelos Estados Unidos, o Copom poderia, com certa tranquilidade, levar os juros a perto de 12,5% até o final de 2026.

Por fim, terminado o prazo de desincompatibilização para candidaturas nas eleições de outubro, temos um pouco mais de clareza sobre quem estará na corrida presidencial, mas não sobre seu resultado. A média das pesquisas publicadas durante o mês aponta para rigoroso empate nas simulações de segundo turno entre Lula e Flavio Bolsonaro, e seguimos não vendo favoritismo claro a ponto deste guiar posicionamento nos mercados.

Obrigado,

Luciano Sobral, economista da Neo.

 

Acompanhe os relatórios de gestão da Neo:

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Neo Provectus I

Neo Argo Long & Short