Cartas do Gestor – Maio 2026

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Prezado(a)s amigo(a)s e investidore(a)s,

Apesar de mais um mês de tráfego muito limitado pelo Estreito de Hormuz e consequente consumo de estoques na Ásia e na Europa, o preço do barril de petróleo caiu mais de 20% em maio. Por ora, as expectativas otimistas quanto a um cessar-fogo mais duradouro têm passado por cima dos alertas sobre a possível falta de combustíveis e outros insumos petroquímicos. Ainda não está claro o desenho do acordo de paz, mas a indicação segue sendo de interesse dos Estados Unidos de desescalar o conflito, enquanto a popularidade do governo segue em queda.

Apesar do potencial alívio inflacionário, o mercado de juros americano deixou de precificar cortes de juros e passou a precificar, ainda que timidamente, algumas altas. Atualmente, vemos pouco risco inflacionário nos Estados Unidos além do choque de combustíveis (que pode se reverter rapidamente) e acreditamos que dificilmente essa precificação de mercado se materializará. Também não acreditamos que a nova presidência do Fed trará uma orientação mais “hawkish” para a condução da política monetária.

No Brasil, o vazamento de conversas entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi o primeiro “fato novo” da pré-campanha eleitoral desde o anúncio da escolha de Flavio como o candidato do ex-presidente. As simulações de segundo turno passaram de empate técnico para uma vantagem de cerca de 4pp para o Presidente Lula, o que ainda sugere uma eleição competitiva.

Mais do que mudar a configuração da corrida, o episódio mostra o potencial de reviravoltas durante os próximos meses e a possibilidade de fatores locais voltarem a importar mais para os ativos brasileiros do que o entorno global. Assim devemos seguir nos próximos meses, sobretudo quando a atenção do noticiário deixar de ser dividida com a Copa do Mundo.

Obrigado,

Luciano Sobral, economista da Neo.

 

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